31 de maio de 2014

BUSTOS – IGREJA DE SÃO LOURENÇO. APROXIMA-SE A CHEGADA DO MEIO SÉCULO.

Em 8 de Dezembro de 2014, a Igreja de São Lourenço de Bustos vai alcançar meio século da sua consagração. Por certo será um momento em que a efeméride irá ser comemorada.
Revisitando aqueles tempos, na oportunidade é reeditado o convite dirigido pelo Padre Vidal aos Paroquianos e Amigos onde faz um resumo da história da construção da igreja e solicita a “estarem presentes nas cerimónias” de consagração da igreja. O folheto suporte da informação foi cedido por Manuel Romão, residente na Azurveira).


Entretanto a primeira cerimónia religiosa na história da Igreja sucedeu em 4 de Julho de 1964 – a realização do casamento de Hilário Francisco Ferreira com Maria Adélia Pereira Martins Aqui

30 de maio de 2014

Padre António Vidal à frente da igreja do Corgo de Bustos

 
P.e Vidal, a alma mater da obra da igreja
Passou em silêncio mais uma vez a efeméride do passamento do P. Vidal, a alma mater da construção da «sua» igreja. Uma obra que congregou a gesta de Bustos espalhada por todo mundo em torno de um querer que vinha desde a criação da Paróquia. Os obstáculos a vencer surgiam como cogumelos em em Novembro. Navegando em tempo de abstenções em direção ao tempo dos pousios do Corgo – o «rebotalho da freguesia», para o Eng.º Neftali Sucena – vamos encontrar os povos de Bustos entrosados na consecução  do templo que faltava à Diocese, Para além de Comissões (in)formais que iam desde o acompanhamento sistemático da condução da obra, passando pela preparação de refeições quentes para os trabalhadores pelos grupos de senhoras, pela angariação de Fundos onde se destaca a correspondência local do Jornal da Bairrada (com a chancela do P.e Vidal),  o recurso da mão de obra dos alunos da escola do Corgo para movimentarem as milhentas «garrafas» destinadas ao assentamento da arcada, e para desempenharem outros serviços … não pode continuar no esquecimento o contributo do Eng.º Santos Pato (Néu, para os bustuenses de então), líder apaixonado de uma equipa dedicada que ajudou a edificar uma obra que tem ajudado a engrandecer Bustos. Entre as placas alusivas a «melhorias» realizadas no condomínio da igreja, não se encontra a mais pequena referência ao Eng.º Santos Pato (Néu). Talvez por ter ajudado a resolver problemas intrincados e por feito gratuitamente. o seu trabalho.

Futura Igreja de Bustos - o último arco foi desenhado por José Maria Dias. foto Rosa Vieira.
 Por mais calendários que passem, o Padre Vidal e o Eng.º Santos Pato estão e estarão indissociavelmente ligados ao edifício-igreja, mesmo para os que não admirem a sua arquitetura.


Igreja de Bustos - uma vista à moderna
De uma revisita às memórias das falações sobre a igreja,, ouço com atenção a : intervenção de figuras  (entre outras) que ajudaram a modelar a obra:
 “A conceção do espaço do edifício-Igreja é convergente em todos os sentidos sobre o Altar. A razão desta convergência é ajudar o Cristão a encontrar mais facilmente o lugar onde Deus é evocado ou encontrar a sua presença.”
(Arq. Rocha Carneiro, recolhas)

E, agora, já que estamos  a falar de colaboradores, não posso esquecer o sr. Sargento Mário Martins, actualmente em serviço em Angola, a quem devo o emprego dos fusos cerâmicos, que tão linda fizeram a igreja, e a Empresa Neo-Cerâmica do Tramagal, que ajudou os trabalhos e cálculos e nos mandou logo o material e um técnico, embora só agora vá receber o respectivo pagamento.”…
[A Nova Igreja de Bustos – uma premente necessidade vai ser uma consoladora realidade]
(excerto da entrevista dada pelo falecido Padre Vidal, ex-pároco de Bustos, ao Jornal de Notícias de 29.1.1964)
 
Conceberam a forma do edifício-igreja de Bustos
aqui
O desenho técnico do último arco da igreja foi da responsabilidade de José Maria Dias, colaborador do Gabinete Técnico do Eng. Santos Pato. O engenheiro estava impedido de completar o trabalho por ter sido preso pela PIDE.
José Maria Dias também merece ser reconhecido e incluído no grupo de artistas que ajudaram a conceber a obra.
Igreja de Bustos - foto aérea de Cipriano Nunes. pilotado pelo Álvaro.  
Uma lembrança para os «operários»: Padre Vidal, Silvério Pedreiras, Mário Pinto e Mário Nunes (entre outros) que realizaram as obras de canalização da vala que "drenava" as águas do lavadouro - na foto aérea de Cipriano Nunes -  que atravessa o território da igreja. Aqui
 Nota: cada vez mais se sente a falta a divulgação de dados oficiais à volta da construção doedifício-igreja de Bustos. Há especialistas.   Haja disponibilidade com vontade.
sérgio micaelo ferreira.

27 de maio de 2014

GUARDIÃOS ou GUARDIÕES DOS SABORES: contributo para a sua história

Ninguém sabe ao certo onde pára o assento de nascimento dos Guardiões ou Guardiães dos Sabores que recentemente passou a ter a sua página no Facebook
Sem acesso a esse assento, subsistem compreensíveis dúvidas sobre a data de tão feliz evento.
Mau grado tal incerteza ou indiferença, já não subsistem dúvidas é quanto à paternidade dos Guardiãos. 
- Quem é o pai do engrupado jovem? [perguntarão vocês].
- Respondo do alto da minha certeza científica: 
Tudo nasceu da mente desmesuradamente conservacionista do Milton Costa.
- Bem conhecida sempre foi e continua a ser a data do 1º encontro solene dos GUARDIÃOS, essa espécie de baptismo de fogo do maçarico atirado às feras: 11 de dezembro de 2006.

Está tudo lá explicadinho, qual livrinho vermelho do Mao Tsé Tung do tempo da Revolução Cultural Chinesa. É só seguir as instruções e quem o não fizer vai fazer trabalhos forçados, não sem antes também enfiar o barrete de mau aluno dos nossos tempos de escola primária salazarenta.  

Aproveito para dar nota de que, antes do parto feliz e como famosíssimo investigador que é da fauna microbiana dita extremófila, o Milton [se nasceu ou não "Prof. Dr.", deixo em branco, ao vosso respeitável critério] fez um persistente e incansável (1) trabalho de casa, de heurística ou recolha dos meios de prova, o que em muito contribuiu para que o ato da concepção ou coito pude ser consumado, isto é, não interrompido.

Estou a falar do participativo coito (do tipo "todos ao molho e fé em Deus") que teve lugar no dia 26 de novembro do mesmo ano, na adega do muito saudoso pai deste vosso humilde escriba, a Adega do Ti Manuel Joaquim.
Regista-se também, entre outros, o encontro/homenagem ao Manuel Simões Figueiredo (Fabiano), também promovido pelo Milton no dia 11 de Novembro do mesmo ano de 2006 e testemunhado no Barrilito.
Para o Milton, ele mesmo, o ódio visceral que sempre nutriu pela chamada febre do asfalto, sobretudo a de tendência cavaquista/socrática, tinha de ser levado mais longe.
Sob o lema “Lutar, vencer, o asfalto é para derreter”, o Milton deu o 1º passo em frente: avançar para a heurística ou busca das raízes gastronómicas deste rincão da Bairrada. Seguiu-se o 2º passo: a hermenêutica ou interpretação das tradições gastronómicas entretanto recolhidas.
Sempre sob a égide dele e guiado, sempre, mas sempre, pelo incansável guardião Agostinho do Barrilito, aqueles dois pequenos passos resultaram na constituição dum grupo de GUARDIÃOS DOS SABORES que ultrapassa a vintena de membros residentes, se não mais.
Por estranho que possa parecer, nunca consegui contá-los, o que julgo dever-se ao facto de não estarem quietos quando procuro retratá-los no retrato da moldura (estou a citar de cor o Eugénio de Andrade no seu poema à mãe).Duas realidades demográficas valorizam o objeto social: 
1ª- A maioria de nós vive em Bustos e arredores;
2^- Alguns dentre nós têm raízes nas Beiras mais interiores, alforge de sabores divinos.
O divino Mestre mirando os assados da deliciosa vitela dos pastos de Lafões e terras ao redor; - Local de culto: casa do Carlos Leite, da Zélia do Canão, ali na Rua Dr. Gregório Hernandez, na Picada de Bustos; - Data: 12/03/2006.
Deixem-me colocar um ponto de ordem à mesa: os Guardiãos têm mais que fazer do que organizarem-se como associação. A razão é simples e linear:
Como experimentado e sabidolas consultor jurídico dos guardadores-dos-bons-sabores-de-sempre, farto de burocracia até ao tutano, bem como da diarreia legislativa, incompetência e indiferença dos agentes judiciários que assolam um país que o Dr. Marinho Pinto tanto odeia, decretei alto e bom som aos confrades:
- Não há órgãos sociais!:
- Somos todos presidentes, vice-presidentes, tesoureiros, fiscais e vogais! 
- Com uma excepção: 
- O Agostinho d' O Barrilito visto do céu fica celestialmente eleito secretário residente e guardião-mor do sagrado livro de atas, para todo o sempre ámen!!
Palavra do Senhor.


Finalmente e para passarem a (re)conhecer melhor as berças de todos nós, recomendo uma busca mais aprofundada aos que já estão cá dentro deste jornal de parede que tanto se empenha em preservar as nossas RAIZES. 
Aos que ainda estão lá fora, é só bater à porta do conhecido domínio desta casa e entrar, sem cerimónias nem parcimónias. 
Em cima, no canto superior esquerdo desta página, está um convite que vos é destinado: 
Tem forma retangular e está em branco, com o claro propósito de vos convidar a escrever no dito espaço palavras como “guardiãos”, “guardiães”, “leitão”, “chanfana”, “charro de par”, “raiz”, “raízes”, ou até “piripiri”. 
Ao nível da palavra, tudo serve, desde que nos conduza à mesa solene dos bons sabores de antanho e que queremos ressuscitar, como aconteceu ao Cristo Judeu que o Milton conhece melhor que o Papa Francisco, que o rapaz é um alforge de cultura, em especial do cristianismo que ele não segue mas ensina como um Mestre. 
A imaginação é o limite.
E sejam bem servidos.
_____
(1) Até fora da comunidade científica - nomeadamente no Tabuaço e na Santa Catarina - é sabido que o Prof. Dr. Milton Costa nunca tirou férias.

26 de maio de 2014

JOVENS DA ADERCUS DESTACAM-SE NO TORNEIO «OLÍMPICO JOVEM»

A fase distrital do torneio “Olímpico Jovem” foi disputado no sábado à tarde e domingo de manhã, na pista de atletismo da Universidade de Aveiro, no qual a ADERCUS voltou a marcar presença no pódio dos escalões jovens. As atletas seniores também marcaram presença na pista, para realizarem provas de preparação.

Beatriz Rodrigues foi a vencedora destacada da prova de 1.000m, para o escalão de Iniciados, tendo corrido isolada desde o tiro de partida, para cortar a meta em 3min09seg. Um pouco mais atrás, Salomé Sousa foi a 6ª classificada, com a marca de 3min36seg e entre os masculinos o atleta Miguel Matos foi o 8º classificado, com 3min08seg.
Sofia Almeida, Cátia Duarte e Luana Ferreira - Torneio Olímpico Jovem
Ana Rodrigues foi outra das atletas da ADERCUS que subiu ao pódio, tendo sido a 2ª classificada, na corrida de 3.000m, com a obtenção de um record pessoal por grande margem, fixado agora em 11min35seg. No sector masculino, João Ferreira foi o 4º classificado, cronometrado em 10min12seg.

Sofia Almeida correu os 150m, do “torneio das pirâmides”, na tentativa de estabelecer um novo record nacional de Infantis, tendo sido a vencedora, com 19,47seg. O record nacional é de 19,62seg, mas a marca realizada pela atleta da ADERCUS não conta para efeito de record, porque o vento estava favorável, a 2,1 m/s, quando o limite é de 2,0 m/s. Uma semana antes, a jovem atleta, Infantil de primeira época, já tinha corrido pela primeira vez abaixo da barreira dos 20seg, tendo vencido também em Aveiro o “torneio do marnoto”, com 19,54seg, mas com o vento também favorável, a 3,1 m/s.

Na prova de 150m, do escalão de Infantis, estiveram também em competição a Cátia Duarte, que correu em 21,26seg, Luana Ferreira, 21,88seg, e nos Benjamins a Catarina Pardal, com 24,05seg.

No sábado à tarde, as atletas Séniores também correram em pista e Sara Carvalho foi a vencedora do “torneio das pirâmides”, com a marca de 4min44seg. Mónica Simões também esteve em bom nível, tendo sido a 4ª classificada, com 4min51seg.
ADERCUS

24 de maio de 2014

JUNTA DA OPOSIÇÃO EM BUSTOS: A REVOLUÇÃO DE 1955

CRÓNICAS DE “BUSTOS DO PASSADO E DO PRESENTE”
A "Revolução" de 1955
 *
Em 1955 houve um pequeno "25 de Abril " em Bustos, quando a Junta de Freguesia caiu em tal descrédito que os seus membros se viram "obrigados" a entregar o poder à Oposição.

Aqui fica a transcrição da acta onde é relatada esta autêntica revolução:
Acta da sessão extraordinária da Junta de Freguesia de Bustos.
No dia um de Janeiro de mil novecentos e cinquenta e cinco compareceram na sala das sessões desta Junta, João de Deus Simões Luzio, Manuel Ferreira Junior, Manuel Simões Ferreira, Padre António Vidal, Dr. Jorge Micaelo e membros da nova Junta, Assis Francisco Rei, Manuel Simões Luzio e Manuel Joaquim dos Santos e os cobradores do mercado de Bustos.
Foi convocada para a nova Junta receber tôda a existência, pertença da Junta. O Sr. João de Deus fez a entrega por meias palavras dizendo que o que havia se encontrava nas gavetas da secretária e armário. Referiu-se a contas de que a Junta era devedora, não há totalidade, porque mais tarde, outros credores apareceram.
O tesoureiro entregou com saldo da gerência antiga a quantia de Duzentos e trinta e sete escudos e noventa centavos.
No encerramento da sessão usou da palavra Padre António Vidal e Dr. Jorge Micaelo que se congratularam com o acto e fazendo votos para que o progresso da Terra fosse realidade.
Nada mais havendo a tratar deu-se por terminada a sessão da que se lavrou a presente acta.”

A transferência dos teres e haveres da Junta não deve ter sido pacífica, já que na acta da sessão ordinária de trinta e um de Janeiro é dito:
No dia em que a nova junta tomou posse, não foi o momento indicado para averiguar do que era possuidora.
Constatou que o selo branco não aparecia, aparecendo mais tarde em casa de João de Deus Simões Luzio;
Que não havia elementos de escrita, e que apareciam em simples papéis contas que esta junta era devedora, como a seguir se menciona:” (…etc…)
________
- Nota 1: Assinam a acta: Assis Francisco Rei; Manuel Simões Luzio e Manuel Joaquim dos Santos (Ferrador). A acta deveria também ser assinada pelos membros da Junta cessante.
- Nota 2: Composição da Junta anterior: João de Deus Simões Vieira (Presidente); Manuel Simões Ferreira Júnior e Manuel Ferreira Júnior (Vogais).
- Nota 3: Esta acta foi escrita algum tempo depois do encerramento da reunião, conforme se pode confirmar no texto: “…porque mais tarde, outros credores apareceram.

*
[Sérgio Micaelo Ferreira]

22 de maio de 2014

II ENCONTRO DE PROFISSIONAIS DA ECONOMIA SOCIAL



A ACIB – Associação Comercial e Industrial da Bairrada e a Pegada Social (grupo de formandos da especialização em DTCP - Direcção Técnica e Coordenação Pedagógica) vão promover o II Encontro de PES (profissionais da economia social), tendo como principal tema: A gestão social e os desafios emergentes – o novo paradigma das organizações de economia social.

Esta iniciativa vai decorrer a 31 de Maio, das 09h às 17h30, no Auditório do Espaço Inovação, na Zona Industrial de Vila Verde, em Oliveira do Bairro.

Este II Encontro visa fomentar a inovação e a sustentabilidade dos desafios colocados hoje às organizações do 3º sector com responsabilidades cada vez mais acrescidas e essenciais para um desenvolvimento económico- social cadenciado e equilibrado.

O programa está dividido em dois painéis, sendo o da manhã dedicado ao tema: Resposta social directa - desafios emergentes na Gestão e na Sustentabilidade nas OES (Organizações de Economia Social), contando com os seguintes oradores Rui Monteiro, director da Unidade de Desenvolvimento Social e Programas do Instituto da Segurança Social, IP – Centro Distrital de Aveiro, Sílvia Bandeira, docente de Marketing do IPAM, Pedro Costa, jornalista e Community Manager, Acácio Oliveira, presidente da Direcção de uma IPSS e João Paulo Pinto, docente Universitário e Fundador da Comunidade Lean Thinking. Este painel será moderado pela vereadora da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, Elsa Pires.

À tarde será abordado o tema: Resposta Social Indirecta - Inovação Social e Estratégias de Mercado, com a participação de Joana Martins, coordenadora do Projecto Voice to Voice da Amnistia Internacional, Cláudia Moura, directora Geral da CMStatus (Porto & Lisboa) e Jorge Faca, fundador da Socialmind, Responsabilidade Social, Lda.

As inscrições devem ser efectuadas através dos seguintes e-mails: gestaosocial.pes@gmail.com  e acib@acib.pt até ao dia 28 de Maio.


Contactos:
Responsável pelo Departamento de Relações Públicas
Nome: Joana Costa
Telefone: 234 730 320
Telemóvel: 932 303 280

18 de maio de 2014

FUNERAL DE MÁRIO REIS PEDREIRAS


O funeral de Mário Reis Pedreiras terá lugar amanhã, segunda feira, saindo da capela mortuária  de Bustos pelas 17 horas.
 Durante o dia de hoje o corpo estará em câmara ardente na Quinta das Maias, em Sôsa. 

O "Noticias de Bustos", numa sentida homenagem ao homem e ao cidadão, publica um texto que Mário Reis Pedreiras escreveu em julho de 1945, quando se encontrava a cumprir o serviço militar em Tancos.

UMA FLOR

Toda a rua era batida por um esplêndido sol. As próprias pedras tinham a sua hora dourada naquela tarde primaveril, esquecidas já dos charcos e da lama pegajosa dos dias tristes de inverno.
De repente o sol fez-se mais claro ainda, mais viçoso o verde das árvores que orlam o passeio. Um andar miudinho e leve soou ao meu lado. Era uma rapariga vestida de claro, olhos risonhos e cabelos flutuantes. E um sorriso, daqueles que andam a dizer à terra que o céu só é distante aos olhos dos que o não sabem ver. Era a encarnação de Eva, de uma Eva inocente e feliz antes que a serpente invejosa tivesse destilado a baba peçonhenta sobre a ventura do paraíso. Mais fresca e viçosa do que aquela moça nem a flor que em seu peito, em vão, tentava disputar-lhe a graça e a juventude. Eram duas rosas que pareciam nascidas do abraço da mesma roseira, colhidas na mesma hora de encantamento!
De repente uma nuvem escureceu o sol, fizeram-se mais baças as pedras da rua, e um rolar metálico soou ao meu lado. Era uma carreta que levava à última morada alguém. Pobrezito, tão desacompanhado na morte, como provavelmente o fora na vida! Flores nem uma.
Há existências assim, em que um inverno sucede a outro inverno, sem intervalos de sol, sem galas, sem cânticos de aves.É a vida dos que nascem sem esperança e acabam,  sem saudade.
De súbito, sobre aquela nudez, aquela cruel realidade, a moça linda descuidada e feliz, coloca docemente sobre o caixão a rosa que despregara do peito. Passou a nuvem que obscurecera o sol, as pedras da rua iluminaram-se de novo.E o acompanhamento, pobrezinhon e triste, afastou-se levando consigo a mais linda flor que a primavera terá visto desabrochar.

Mário Reis Pedreiras

B.A.3- 27-7-1945- Tancos

17 de maio de 2014

MÁRIO REIS PEDREIRAS (1923-2014)




Cronologia breve de um bustuense republicano,

 laico e social democrata


1923 (2 Fevereiro) – Nasce no Cabeço de Bustos, filho varão de Vitorino Reis Pedreiras e Arminda Simões dos Reis.

1929-1933 - Frequenta a Escola Primária de Bustos sendo aprovado no exame da 4ª classe.

1944-1945 – Cumpre o serviço militar em Castelo Branco e Tancos.

1949 (1 de Janeiro) – Casa com Maria Isaura Simões da Costa, filha de Manuel Simões Loureiro, de Bustos, ficando a viver e trabalhar no Cabeço.

1959- Na sequência de Partilhas definitivas deixa Bustos, indo viver para Sosa, onde herdou  a Quinta das Maias.
Não devia ficar em Bustos, não porque não goste da terra que me viu nascer, como, aliás, é dever de qualquer filho que se preze, mas tão-somente porque sabia que iria ficar prisioneiro de um punhado de pequenas propriedades dispersas e com pouco valor, coartando-me ainda o meu anseio de conhecer outras formas de vida no país ou fora, e não somente na lavoura onde fui educado. Não sabia, efectivamente, que futuro iria abraçar, mas convicção, entusiasmo e eram factores que não me faltavam nessa altura.”
(…)” Bustos não me podia dar o que eu ansiava, nesse tempo.”

1960 (29 de Maio)Inaugura o Café Zig Zag, (com Augusto Simões da Costa e Bacelar) na Avenida Dr. Lourenço Peixinho, em Aveiro.


1971 – Vende o Zig Zag ”por amor à vida e à saúde, farto de ser fumador passivo”.

1973 – Investe  na indústria cerâmica.

1981 - Faz obras de recuperação na quinta de Sosa. Oferece um terreno para abertura de uma rua a que a Junta de Freguesia decide dar o nome do doador.

1987 – Oferece 250 metros de terreno para ampliação do parque infantil de Sôsa.

1990 - Encontra a foto do brasão do Duque de Lafões que existiu na quinta das Maias mandando-o esculpir em pedra.
“ A retirada do Brasão depois da quinta ter sido vendida foi um furto que se fez a Sosa. O meu pai assim o escreveu nas suas memórias mais tarde, reconhecendo o seu erro em o deixar retirar, conjuntamente com o seu irmão Manuel. Mas em período de expansão republicana, as coisas antigas e ligadas à fidalguia não mereciam grande relevo ou interesse e muito menos estima

1991 (21 de Julho) – Oferece o brasão reconstruído à freguesia de Sôsa, ficando este colocado na frontaria da quinta.

1992-1995 – É presidente da Assembleia-geral do ABC.

1995- Na festa de comemoração dos 75 anos da criação da freguesia de Bustos oferece mil contos (5 mil euros) para a construção do Bairro Social do Cabeço


1997Edita o livroMemórias de Outros Tempos”, escrito pelo pai, Vitorino Reis Pedreiras, e oferece as respectivas receitas à ABC. A obra é lançada, a 15 de Fevereiro de 1997, em sessão de homenagem ao autor, que assinala também o 16º aniversário da ABC.

1997- Passa a custear a renda do Campo de Futebol da União Desportiva de Bustos, através de uma doação feita à Junta de Freguesia.

1999 (18 de Fevereiro) – Oferece 2500 euros para as obras sociais da Igreja e outros 2500 euros para a construção da capela mortuária.

2000- Contribui para a iluminação do campo da UDB.

2000 (5 de Março) – Reúne a família e amigos no Hotel Imperial em Aveiro para festejar  o que designa como valores essenciais, “a amizade e do amor à família”.

2001-2005 - Integra a lista do PSD candidata à Câmara Municipal de Vagos que vence as eleições. Integra o executivo como vereador e vice-presidente.

- Apoia a edição do livroLendas de Sosa”, de João Pedrogam.


2005-2009 - Concorre à Junta de Freguesia de Bustos integrando a lista do PSD. Em Outubro toma posse como Presidente da Assembleia de Freguesia cumprindo o mandato até ao fim.

2014 (17 de maio) - Falece após doença prolongada.

14 de maio de 2014

DR. ASSIS REI SOMA E SEGUE E JÁ VAI NOS 93

O NB tem sido pródigo nas notícias sobre este pilar da nossa Terra, à qual tanto deu num passado mais longínquo, quando as forças e as ganas mandavam no corpo e alma.
- Lembrámos anteriores aniversários dele, AQUI, mais ALI e ACOLÁ;
- Como lembrámos a sua dedicação às causas da CIDADANIA e
- O AUTARCA, enquanto Presidente da Junta de Freguesia de Bustos nos anos 50 e 60, ao ARREPIO da ditadura, que sempre combateu.
Mas em vez de estar para aqui a linkar os locais onde podem consultar quase tudo sobre sua a vida, convido-vos a subir até ao lado superior esquerdo desta página e escrever algo como "Dr. Assis Rei" na caixa de pesquisas do Bloguer. Há pano para muitas mangas.

Como se esperava, no passado domingo o Dr. Assis festejou mais um aniversário e só a agitação do meu dia impediu que fosse lá beber uma tacita de espumante, também em memória da esposa Odete...


...que muita falta lhe faz, acentuo, pois isto da solidão não é destino que se recomende. Fala a experiência...


Prontos: ficam a saber que ele está bem e recomenda-se.
Tá bem! Falta-lhe o grande amigo e compagnon de route, o Dr. Jorge Micaelo, que decidiu ir de abalada no passado ano, o que fez - consta por aí - porque a roleta lá de cima é de ouro, servida por louras e provocadoras croupiers, lagosta à fartazana e um Deus a permitir que os jogadores nunca percam.

À míngua de melhor...com o genro Hilário Costa, engenheiro informático retirado e 
campeão americano de tiro de carabina [ver a "Precision Rifleman" de November, 2013]

Vá lá, vá lá: de quando em vez um colega mais novo ou o genro Hilário (quando dos States dá cá um salto) lá o levam à Figueira ou a Espinho.
É castigo que ele não merece, já que o hábito se perde na noite dos tempos e o hábito faz o monge, não o desfaz, gaita!

O nosso Assis, que a cédula não leva Dr., nasceu no Cabeço em 11/6/1921, na casa dos pais Manuel Francisco Rei e Maria de Jesus.
Quando ainda era jovem, valeu-lhe a lotaria do irmão Lino (o jogo, sempre o benfazejo jogo!): a sorte foi muito grande e permitiu ao jovem Assis ir estudar para o Colégio de Oiã, donde saltou para a coimbrã Faculdade de Farmácia.
Começou então a sua dedicação à coisa da causa pública, logo ali na Direção da Secção de Futebol da gloriosa AAC. 
Nunca mais parou.

Julgo que é por causa da roleta que o vejo todos os dias à porta de casa, quase, quase, aqui em frente da minha.
A desentorpecer as pernas, ora olhando para os lados da Póvoa, ora para os de Bustos, como quem espera a chegada dum carro amigo que daqui o leve para os lados do mar, lá onde a sorte (e a muita prudência e ratice) lhe foram razoavelmente pródigas.
Raios vos partam, ó Colegas do Amigo Assis: esqueceram-no ou foi o raio da Troika que também vos foi ao bolso?

Dúvidas não restam: 
Isto só lá vai com um golpe de estado, liderado por um ALFERES RANGER QUE EU CÁ SEI
Abaixo o regime, antes que também o nosso Dr. Assis desista desta vida!!

CARLA E JOANA NO PÓDIO DA MEIA-MARATONA DE CORTEGAÇA

O fim-de-semana competitivo da ADERCUS foi marcado por corridas de preparação de pista, no Luso, para os atletas mais jovens, e pela participação de Séniores e Veteranos na meia-maratona de Cortegaça, com bons desempenhos nas duas vertentes.


Disputou-se no domingo de manhã a meia-maratona de Cortegaça, prova na qual a ADERCUS marcou presença mais uma vez com atletas no pódio. Carla Martinho foi a 2ª classificada, tendo cortado a meta com o registo de 1h18min54seg, enquanto logo atrás, Joana Nunes também subiria ao pódio, no 3º lugar, com 1h19min31seg.
 
António Moreira, Carla Martinho, Joana Nunes, Paulo Ferreira e Paulo Miguel
No sector masculino, António Moreira foi o 16º classificado Sénior masculino, com 1h12min52seg, Paulo Miguel foi o 10º, nos Veteranos 2, com 1h18min19seg, e Paulo Ferreira, na sua estreia nesta distância, classificou-se em 17º, nos Veteranos 1, com 1h21min45seg.

Em pista, no Centro de Estágios do Luso, no sábado à tarde, alguns atletas jovens correram provas de preparação de 1.500m. Nos Iniciados, Beatriz Rodrigues estabeleceu a sua melhor marca pessoal, fixada agora em 5min04,39seg e nos masculinos, Miguel Matos correu em 5min00,29seg. Nos Juvenis, a Ana Rodrigues também progrediu, melhorando a sua marca para 5min15,69seg, enquanto o estreante João Ferreira correu em 4min40,44seg.

 Na jornada de domingo, a atleta Infantil Sofia Almeida correu os 1.000m, tendo aproveitado o evento para melhorar por 7 segundos a sua melhor marca, tendo registado 3min13,03seg..
(ADERCUS)

13 de maio de 2014

VEM CAMINHAR NO SÁBADO

Participe na segunda caminhada promovida pelo Instituto de Educação e Cidadania, que se realiza no próximo sábado, pelas 9 horas. O percurso inicia-se no IEC passando pela Escola de Artes da Bairrada (Troviscal), pela Feira de Bustos e termina no Parque do Rio Novo na Mamarrosa onde decorrerá o almoço partilhado. Caminhe, pela sua saúde.

12 de maio de 2014

MENTES CONVERGENTES:”PENSAR O MUNDO E AGIR LOCALMENTE”


“Pensar o mundo e agir localmente”, esta a motivação que levou  João Nuno Duarte Pedreiras, nascido em 12 de Outubro de 1989, a fundar a Associação Mentes Convergentes de que é presidente de direção.
Estudante de Arquitetura, em Coimbra, atualmente a fazer o Mestrado, desde muito novo que João Pedreiras se interessa pelas questões da cultura. Tinha 15 anos quando começou por juntar um grupo de pessoas unidas em torno da ideia da recuperação do Cine Bustos. A juventude de todos levou, naturalmente, a que esta primeira experiência pró associativa não tivesse consequências. Mas João Pedreiras não desistiu, bem pelo contrário, foi consolidando a ideia de que são as “Associações que fazem a sociedade”

O projeto de voltar a dar vida ao Cine Bustos morreu de vez no dia em que, ao visitar   o edifício, João Pedreiras deparou com a mais completa destruição. Tudo tinha sido arrancado do seu lugar, já nem os fios elétricos resistiam dentro das paredes: “Chorei ao ver aquilo e conclui que naquele estado não valia a pena continuar a pensar em recuperar a sala de cinema.”
Entretanto começou a juntar um novo grupo (“sem vícios associativos”) dando início a um novo processo associativo que culminou, em 11 de Setembro de 2012, com a constituição da Associação Mentes Convergentes. Algumas dessas reuniões decorreram no palacete de Bustos, propriedade da ABC .Ao verificarem que as instalações estavam sem função e ao saberem da próxima saída da biblioteca decidiram encarar o projeto de voltar a dar vida ao palacete ali criando um espaço de exposições temáticas, uma sala para exibição de filmes e eventos múltiplos, ateliers criativos, etc. As valências de residência artística e de criação, assim  como espaços de coworking, integravam ainda a proposta da Mentes Convergentes. A cedência gratuita do edifício, depois da fase de lançamento do projeto, seria avaliada ano a ano, de  forma a que os associados da ABC pudessem  decidir o seu prolongamento, ou não, em função do trabalho desenvolvido. A recuperação do prédio iria sendo feita paulatinamente já que o seu estado, afirma João Pedreiras, não impediria a sua imediata utilização.
Esta proposta esteve em discussão numa assembleia geral da ABC realizada em setembro de 2013, mas foi recusada pelos sócios presentes (8 votos contra, 2 votos a favor e uma abstenção).

João Pedreiras, sem contestar o veredicto, lamenta não ter a oportunidade de lançar um projeto que já foi experimentado com êxito (A Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, é um magnifico exemplo da recuperação de um palacete aliada à sua dinamização artística e cultural) tanto mais, sublinha, quando o que está em causa é mais do que um simples edifício, “é o centro da vila de Bustos que está moribundo.”  Também por isso segue atentamente a discussão em torno do futuro a dar ao palacete e de que forma esse projeto poderá ajudar a dinamizar todo o centro da vila
Mas a Associação Mentes Convergentes não desistiu dos seus propósitos de intervir culturalmente no concelho pelo que tem a intenção de criar um pólo de formação cívica e cultural. Os debates, concertos e exposições continuarão a integrar o programa de atividades associativas, assim como a busca de um espaço onde possam desenvolver os seus projetos.

A escola da Quinta Nova, devoluta após a abertura do novo Pólo Escolar, foi outro edifício visado pela Mentes Convergentes. Mas como o Orfeão de Bustos manifestou igual pretensão a Câmara acabou por decidir a partilha, ficando o Orfeão com duas salas e a MC com uma. “Ficámos com uma sala de aulas o que é curto para o que pretendemos fazer. É apenas um espaço para arquivo e reuniões.”
As atividades artísticas e culturais, a programação cultural, são hoje um interesse dominante na vida de João Pedreiras. Curiosamente sua intervenção cívica local iniciou-se com uma breve incursão pela política. Integrou a lista do Partido Socialista à Assembleia de Freguesia nas eleições de 2009, chegando a ser deputado. Mas hoje confessa que não voltará a repetir a experiência. Diz que não nasceu para ser um cão de fila, preferindo ser um “cão que não conhece o dono”.

BC



ASSOCIAÇÃO MENTES CONVERGENTES
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Site:http://www.mentesconvergentes.pt/

Associação para o Património Cultural
Promoção e desenvolvimento de actividades culturais, de defesa e promoção do património cultural e o estudo, divulgação, salvaguarda e desenvolvimento do património arquitetónico e urbanístico.
Descrição
A Mentes Convergentes, doravante designada por MC, é constituída por um grupo multidisciplinar, jovem e apartidário, tendo como âmbito o desenvolvimento cultural e a preservação do património.
A MC surge motivada pela assunção de um imensa lacuna cultural e aspira colmatar esse espaço com espírito de missão e assertividade dialogante.

Informação geral
MESA DA ASSEMBLEIA-GERAL:
Presidente: MARCO ANDRÉ DOS SANTOS FERREIRA; Secretários: MARLENY FÁTIMA DOS SANTOS FERREIRA e PEDRO MIGUEL DE JESUS NETO DIAS.

DIREÇÃO:
Presidente: JOÃO NUNO DUARTE PEDREIRAS; Vice-Presidente: ANDRÉ MIGUEL DA SILVA FERREIRA; Secretário: JOANA BEATRIZ CARRIÇO DE OLIVEIRA; Tesoureiro: LUÍS CARLOS DA SILVA TRIBUNA; Vogais: DAVID CORREIA MARCO, RICARDO MOREIRA BATISTA e DANIEL DOS REIS ALMEIDA.

CONSELHO FISCAL:

Presidente: MÓNICA ROSA ALMEIDA SILVA; Vogais: JOSÉ FILIPE OLIVEIRA GRANJO e RICARDO ALEJANDRO DIAS FERREIRA.