11 de agosto de 2011

S. Lourenço na fogueira

O nosso S. Lourenço terá morrido na fogueira em 10 de Agosto do ano de 258 depois de Cristo, dia escolhido para a sua celebração.
À data da sua morte S. Lourenço era diácono da Igreja de Cristo, ou seja, guardador dos bens da Igreja e responsável pela sua distribuição pelos pobres. Conhecido como Lourenço de Huesca, nome da sua terra natal, ali para os lados da actual Valência de Espanha, veio a ser canonizado depois do seu sacrifício.
Rezam as crónicas cristãs que morreu às mãos do imperador romano Valeriano, que o chamou para que lhe entregasse as riquezas da então perseguida Igreja de Cristo.
Assim fez, apresentando-se com os pobres, orfãos e viúvas, para ele a verdadeira riqueza de Cristo. A sua coragem e ousadia valeram-lhe o suplício pela fogueira.
Todos conhecemos a sua imagem de santo, com uma grelha na mão direita, simbolizando o instrumento do seu sacrifício: num braseiro colocaram uma grelha e, sobre esta, os soldados do imperador deitaram aquele que veio a ser o S. Lourenço de Bustos. Morreu, dizem, como um mártir.
Ironia das ironias: ontem, a procissão de S. Lourenço parou e arredou-se para dar lugar à correria acelerada das viaturas dos bombeiros que acorriam aos muitos fogos que enchameavam ali para os lados do Cabeço e do moínho do Sêco. O fogo terá vindo mais do noroeste e só terá parado para os lados do Montouro.
Não há lembrança de tantas labaredas a consumir matos, pinhais e eucaliptais (do mal o menos, que eucalipto é sorvedouro de solos aráveis).
Não pararam de acudir os bombeiros de Oliveira do Bairro, Ílhavo, Aveiro e Vagos. Mais ao cair da tarde acorreram pelo menos os de Cantanhede, Mira, Souzelas, Condeixa e até Figueria da Foz. Como não faltaram os meios aéreos, com dois aviões e um helicóptero, todos a tentar salvar das chamas os termos de Bustos e terras ao redor, ali para as bandas das areias, a que os de lá chamam gandarezas.
S. Lourenço mandou que a procissão parasse, para que os soldados da paz acorressem ao apagar dos fogos.
Se calhar, quem sabe,  a lembrar-se que também ele morreu na fogueira, às mãos de homens sem fé, sem amor pelo semelhante, sem amor pela natureza que o homem vai cada vez mais descurando e reduzindo a nada.
Percebe-se porquê: onde falta o amor, sobra o ódio, a indiferença, a falta de respeito e de cuidado para com o mundo que nos rodeia.
Apetece dizer que S. Lourenço de Huesca e de Bustos se deixou sacrificar em vão na fogueira. Fogueira que ontem vi arder mesmo ali ao pé, junto de sofridos bombeiros à espera que a água chegasse.
São tantos os fogos para apagar...

1 comentário:

  1. Anónimo22:21

    Só um aparte,os bombeiros de cantanhede chegaram a Quinta dos Troviscais por volta da uma hora da tarde e não ao final da tarde mas foram mandados embora pelos bombeiros de oliveira do bairro ,se tivessem ficado o incendio nao tinha tomado aquela dimensão e a verdade é que se não fossem as pessoas do lugar tinhamos todos ficado sem nada e os aviões é que acabaram com fogo.Nunca tive tanto medo na minha vida. EStá na hora dos habitantes usarem os miolos e não plantarem tantas arvores cada vez mais perto das casas.Enfim mentalidade de aldeia,tenho pena de não poder mudar a minha casa dai.
    Ana.

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